Queima, não é?
Se lentamente você passar sua mão sobre essa chama que emana, desestruturando a parte física, ela prova que é capaz de arder tua pele e incendiar todo o resto do seu corpo.
A ferida se abre, arde. Não importa o quanto de água gelada se faça presente naquela vermelhidão absoluta, ela continuará ardendo, até que lentamente se faça o processo de recuperação, onde verdadeiramente você para de sentir dor.
O grande problema é que as queimaduras deixam marcas. Elas estão exatamente ali para provar que não importa o quanto você seja forte, as cicatrizes sempre aparecem.
Os fortes, no entanto, são capazes de resistir a maiores queimaduras, e de permanacer mais tempo ao lado do calor, da fogueira. Sentindo aquela energia vibrante que nos aquece em dia de frio e nos fazem sentir o agradável sabor dos alimentos.
Dizem que quem brinca com fogo, acaba se queimando.
Quem brinda às emoções, tendem a encontrar o mesmo rumo.
Não importa o quão forte você seja, você ainda depende delas, todos os dias, para se sentir vivo e confortável nesse inverno gélido. Seus amigos, sua família, seus amores.
É nesse aspecto que se encaixa aquela expressão.
Frio.
A ausência do calor, da vibração. A falta completa das chamas que envolvem o nosso coração e nos fazem permanecer viventes, sorridentes.
No entanto, tantos se esquecem que é muito mais fácil e rápido morrer queimado do que congelado. Os gases emanados de uma combustão são tão mais precisos para invadir teus pulmões do que a falta de calor para congelar teus fluidos.
Um homem preparado pode facilmente resistir a baixíssimas temperaturas; mas ele jamais será capaz de conter um incêndio.
Ele pode mergulhar em uma piscina gelada, mas ele nunca será capaz de desfrutar o magma de um vulcão.
E mesmo que tente, por mais que tente, jamais entenderá os movimentos de vai e vem que são projetados pelas fagulhas laranjas emanadas de uma fogueira.
Vê? É tão fácil entender o frio.
As partículas aglomeradas, todas unidas.
O processo de condensação, de calma, tranquilidade. Poucas ondas vibratórias, poucos conflitos, pouca energia.
No entanto, muita disciplina, muita serenidade.
Enquanto o sol aquece nossos corpos e proporciona a vida na terra, ele queima, nos causa dor e desconforto. Nossa biologia é forçada a transpirar para que continuemos vivos.
E é essa a atribuição que damos aos sentimentos.
A lua permanece ativa, iluminando a noite, inspirando as mentes pensantes que passam horas observando as estrelas e seus bilhos adjacentes.
Paradoxal, não é?
Conscientemente atribuímos ao que sentimos um elemento incoerente, incerto e da qual não temos nenhum controle sobre sua parte física.
O fogo, o que separa, o que queima. Nos causa sofrimento, angústia, desapontamento. Nos faz sofrer. Suamos lágrimas para acalmar o ódio, o fervor, o quente.
A ira. A separação.
Pois o fogo separa, desune. Desgraça.
Todavia.
Calmamente, muito calmamente ponho um agasalho, pois é tudo o que eu preciso para superar o frio.
E nele aproveito meus excelentes momentos de silêncio e de solidão.
Yerick Douglas
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