Me falas de amor. Mas todos os exemplos que me dá são frutos de utopias baratas, compradas em qualquer banca de jornal. São clichês; maneiras fáceis de falar para os outros que os sentimentos são inevitáveis, e que é impossível que um único ser viva só, sem ter uma musa que desperte sentimentos.
Me dizes que o amor é um algo fantástico, e que arrebata até o mais forte e o mais grosso. Falas que o seu poder é capaz de mover montanhas, e proporcionar que os corpos se unam em qualquer distância. Dizes até que só somos felizes porque somos capazes de amar.
Representas o amor como quem recita uma poesia, ressaltando suas características, dando ênfase a sua profundidade. Compara-a com a lua dos namorados, com contos famosos. Explica sua anatomia; como é, como será. Tal como ela age, a maneira que ele gosta, que ele surge. Olha nos meus olhos e fala do coração. Fala da alma.
Mostra a pureza do sentimento mais belo, do senhor das emoções. Das lágrimas caídas e do prazer enorme do que é amar. Abdicar do próprio corpo, unir-se a um êxtase universal, da verdade irrevogável que habita todos os seres inteligentes do universo. Pois aquele que vive, ama. Aponta a sociedade; dos casais felizes que vivem eternamente unidos em um só seio, em uma única paixão.
Dizes que o amor é único e é o real motivo da felicidade.
Teu rosto entristece quando percebes que permaneço o mesmo. Inerte, sentado, olhando para teus lábios e ouvindo tuas palavras. Em teu âmbito, uma dúvida sem nenhuma resposta. Como pode um ser viver com tal pensamento?
Ora, criança.
Se foi tu que me falastes isso tudo sobre o amor.
Certamente és tu que não sabe o que é amar.
Yerick Douglas
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