quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Vida vadia


Ah, vivência safada.
Engana-me não só a mim, mas a todos aqueles que andam nas tuas linhas e jogam os teus jogos. Indicas o caminho e nos enche de esperança, e sempre na hora mais esperada desvia as placas, e nós sempre desviamos os nossos rumos.
Sonhos já não passam mais de fantasias e imagens sem sentido, na dormência da noite que acalma o nosso corpo. Pois que por mais que se planeje, mostra-nos o quanto é difícil conviver sobre ti e mais ainda sobre os planos. Qual o prazer que sentes, Vida, em fazermo-nos de peões; manipulando os nossos desejos e sentimentos?
Nos amores, não mais que peças infantis, logo quando conhemos aquela que haure todas as nossas paixões... Aparece a mais improvável e consome a nossa reserva de libido e de emoções. Tão pouco a faz desaparecer, como num toque de mágica, e nos revela que tudo o que passamos não era somente um conto romântico barato. Hipócrita.
As amizades surgem tal como surgem palavras na mente de um poeta. Sem explicações maiores, sem conceitos melhores. Simplesmente surgem. Ponto final. Porém, mais a frente desaparecem como cigarros nas mãos de um viciado, intelecto na mente de um néscio.
Rumo acadêmico resume-se ao acaso. Não que não tenhamos um mínimo de controle sobre as escolhas, pois que no fim, temos sobre todas elas. Mas é a força que procura desviar dos nossos objetivos que nos deixa ébrio de fúria e ao mesmo tempo estonteados de tanto carinho.
Maldição, Vida! Como podemos gostar de ti? Logo tu que nos causa tantos desapontamentos no seu decorrer? Com lágrimas e afagos, tapas e beijos, dores e esperanças? Como podemos persistir perante tamanho paradoxo?
Tolos são os suicidas, que matam-se sem procurar o mínimo de nobreza em teus traços, um ínfimo de beleza em teus cabelos. Pois que na imensidão dos espaços, és tu que rege o infinito e habita calorosamente no peito de cada ser vivente.
Pergunto-me que mente poderia ter criado algo tão sublime e inimaginável; qual criatura nesse espaço negro e estrelado poderia ter planejado tamanha graciosidade. Infelizmente, o pouco de vida que temos não nos dá a capacidade que precisamos para solucionar tal caso.
Resta-nos somente viver. E viver.
Entre braços de um ser completamente abstrato, que nos agarra e nos amassa por entre lutas e conquistas. Mostrando o quanto pequenos somos, e porque nos achamos tão grande.
Mas, Vida, quais os critérios que tivestes para nos escolher e proporcionar tamanha dádiva? Por que eu, dentre infinitos seres dessa não existência?
Passam séculos, jamais terei essa resposta.
Logo tu, Vida bandida, Vida Vadia!
Logo tu, que homenageio em linhas e parágrafos.
Irás nos abandonar quando mais precisarmos das tuas explicações.


Yerick Douglas

Um comentário:

  1. Definitivamente seu melhor texto, e um bom texto não é aquele que dá as respostas, mas o que permite ao leitor suas várias interpretações, exatamente como esse. Parabéns!

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