segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desencontros


Longe de casa, longe de todas as formas de problemas que poderiam existir, longe do tormento moderno, paro e procuro descansar. Deito-me em uma rede em frente ao mar, observando o movimento harmônico das ondas que vem e vão naquele infinito oceano. Sinto a suave brisa ir de encontro a minha pele, como se ela fosse a mão suave e carinhosa de um grande amor, que afaga e percorre todo o meu corpo, expurgando todas as impurezas, todos as aflições, todas as indiferenças. E naquele mesmíssimo lugar fecho os olhos, concentrando-me apenas nos meus sentidos. Ouço o som da magnífica orquestra regida pela mãe natureza.
O quanto é imenso o número de peças que a vida nos prega. Consideramos sempre que a nossa história será escrita como as páginas de um livro, onde nós somos os mocinhos e que tudo está devidamente traçado pelo autor. Com as linhas tortas, imaginamos que tudo o que nos rege possui um começo, um meio e um fim. Na verdade, nem sempre tudo sai da forma como prevemos.
Pare e reflita durante alguns poucos minutos. Quantas vezes imaginamos que estaríamos fazendo uma coisa na qual nunca imaginamos? Por vezes já me peguei pensando em uma pessoa que nunca pensei. Infinitas vezes me surpreendi quando determinadas situações ocorreram na minha vida de forma inesperada, situações na qual eu nunca imaginei que pudesse acontecer.
Isto leva a crer que nem sempre são as nossas escolhas que direcionam o nosso caminho. Muitas vezes, me parece até que o Criador realmente tem um plano para todos nós, e que este plano foge completamente do roteiro do qual estamos acostumados a ler.
Permito que por minutos a sensação de pleno relaxamento tome conta de todo o meu corpo. Sou capaz de sentir os meus batimentos, o calor fluente do meu corpo e das suas trocas com o meio externo. As pequenas partículas de areia que são sopradas pelo vento chocam-se com a minha pele dão uma sensação prazerosa, ocorrendo como se as intenções fossem a de massagear a minha camada mais externa. Um frio então me sobe a espinha. Mais uma vez, permito que os meus pensamentos me levem, como as ondas do oceano.
O amor também possui os seus mistérios. Esse sentimento incompreensível e ao mesmo tempo arrogante nos prega tantas peças como a vida; normalmente fazendo com que o nosso pobre e frágil coração seja dominado por essa emoção tentadora. Por quantas vezes não somos enganados pelo calor da emoção? Quantas e quantas vezes não nos flagramos pensando, sonhando, e até imaginando com um alguém que nunca exerceu tanta influência sobre nossa existência?
Saborear os beijos rápidos e ardentes que antecedem o ato mais sublime da raça humana. Sentir o úmido de um beijo mais lento, demorado, apaixonado, acompanhado por suaves passagem de mãos pelos cabelos, pelas costas. A força ávida que arrasta para si o corpo da pessoa amada, como se estívessemos vivendo em um só.
A saudade que nos bate constantemente quando estamos longe da presença mais agradável. Os anseios, a ausência. Inocentemente somos seduzidos por essa forma de sentir e depositamos toda a nossa felicidade em uma imagem. Em um ser físico, perfeito, admirável.
 Abro os olhos. Contemplo aquele céu azul. Límpido. As nuvens apresentam as mais variadas formas aos nossos olhos, partindo sempre das nossas interpretações. Recuo um pouco as minhas reflexões, procurando não pensar em nada, apenas vislumbrar as telas pintadas pelo artista dos céus. Vejo-me nas nuvens. Vejo todos os acontecimentos em que eu estive presente. Minha família, minha infância, meus amigos, meus amores. As circunstâncias que me fizeram e que me fazem refletir sobre tudo o que passei e tudo o que irei passar.
Felizmente as coisas sempre fogem aos nossos planos, e somos obrigados a estar preparados para os diversos desencontros que acontecerão enquanto eu pensar, e existir.
A vida é longa, eterna. Fecho os meus olhos, minha mente cansada é lentamente arrastada e adormeço. Sono profundo. Inimaginável.
Yerick Douglas

Nenhum comentário:

Postar um comentário