Se eu morresse amanhã, não gostaria de ver uma lágrima despencar de um rosto, por mais triste que fosse [Lágrimas demonstram sofrimento].
Se eu morresse amanhã, não queria receber flores, por mais variadas cores que estas possuíssem [As flores cheiram à morte].
Se eu morresse amanhã, detestaria ver luzes sendo emanadas de velas [As luzes me acordariam do sono profundo].
Se eu morresse amanhã, por mais trágico que fosse o meu desencarne, odiaria ver um padre me rezar [Minha crença é outra].
Se eu morresse amanhã, ao invés de se importarem comigo, se importem com aquelas pessoas que estão presentes [São elas que precisam de ajuda].
Não me importaria com a vida se estivesse morto. E nem gostaria que muitas pessoas deixassem de viver o restante de suas experiências em minha função. Poucos se lembram de que esse é o nosso maravilhoso fim, e reinício de um novo ciclo, uma nova travessia.
O orgulho que vai para o túmulo é a mesma hipocrisia que é depositada sobre ele. Tanto sofrimento, tanta amargura. As histórias vividas, os projetos concluídos, os objetivos cumpridos. O importante não é a profundidade da sua cova, e sim o quanto você chegou o mais próximo do céu.
Se eu morresse amanhã, que consolassem a minha mãe [Ela jamais suportaria].
Se eu morresse amanhã, louvassem o meu pai [Meu espelho, meu mentor].
Se eu morresse amanhã, ensinassem ao meu irmão a importância de todas as coisas [Ele ainda é uma criança].
Se eu morresse amanhã, que copos fossem brindados em homenagem aos meus amigos [Minhas partes].
Se eu morresse amanhã, um abraço fraterno no meu avô. [Eu nunca pude dizer o quanto o amo].
Nossos alicerces são as pessoas as quais conquistamos. São todos aqueles que dariam a vida por nós, da mesma forma que sem hesitar, faríamos o mesmo por eles. De nada adianta ser lembrado durante o seu funeral, se você nunca foi lembrado enquanto tinha o direito de ir e vir.
O caixão é apenas um símbolo, ele não será a sua nova casa. Tanto faz se ele será de madeira, ferro ou ouro. O importante é a consciência, e em quantas partes suas emoções foram divididas. O materialismo terreno jamais irá substituir o amor fraterno, celestial.
Se eu morresse amanhã, guardassem meus livros [Eles ainda serão lidos].
Se eu morresse amanhã, alimentassem os meus animais [Eles ainda precisam de um dono].
Se eu morresse amanhã, bebessem minhas cervejas [Eu não preciso mais delas]. De preferência, aqui em casa [A tradição deve ser mantida], e com os meus amigos [O bar precisa ser aberto].
Se eu morresse amanhã, ocupassem o meu quarto [Meu mundo são minhas lembranças].
Se eu morresse amanhã, doassem as minhas roupas [Elas jamais me esquentarão].
Triste e levemente me despederia de todas as grandes felicidades que eu tive nesta passagem. Agradeceria a Deus e imploraria para passar novamente por todas as mesmas experiências, que foram únicas e eternas. Me encontraria com tantos entes queridos, me tornaria um deles.
Mas quando eu for, não chorem. Peço, não chorem. Riam. Riam bastante para que eu possa ouvir, de onde quer que eu estiver, as graças e as felicidades desse povo maravilhoso. Porque um dia eu rirei da mesma forma e com a mesma intensidade. O céu é vasto o bastante para tantos que vem e vão, detestaria que a angústia da perda fosse depositada logo sobre mim.
Se eu morresse amanhã, não seria castigo [Seria a vida].
Se eu morresse amanhã, estaria feliz [Como estou todos os dias].
Se eu morresse amanhã, lembrem-se de mim. Porque eu jamais esquecerei de vocês.
Yerick Douglas
Se tú morresse amanhã, eu me matava ahehaeuaehaeaieaueaheuaeiiea ;)
ResponderExcluirgostei da 5ª estrofe e especialmente da estrofe 'Se eu morresse amanhã, bebessem minhas cervejas [Eu não preciso mais delas]. De preferência, aqui em casa [A tradição deve ser mantida], e com os meus amigos [O bar precisa ser aberto]' - isso me fez rir. No mais, enquanto lia, pensei: 'Então não morre, caralho'.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirSinto que você é espiritualista, adepto da imortalidade da alma. É crente das grandezas da alma, dos valores imateriais, por isso, receba meus mais efusivos parabens. Você é um homem simples e averso às coisas da matéria, não aceita gestos hipócritas e evita as bobagens e benessses que a sociedade podre é adépita. Portanto estou feliz e grata por ter lido matéria tão esclarecedora e de folosofia tão elevada. Bruna Soares
ResponderExcluir