Ah, o amor.
O belo, maravilhoso, infinito, incansável amor. Aquele que faz os corações apaixonados vibrarem de felicidade só por uma troca de olhares. O calor que surge quando a figura perfeita aparece, com toda a sua beleza, todo o seu glamour. A falta de ar, as palpitações cardíacas, o dilatar da pupila.
Como é lindo, o amor.
A representação pelo vermelho, as rosas da paixão. O sentimento mais puro e sincero que o ser humano pode ter em sua tão breve vida. A motivação para fazer coisas que jamais faria, as declarações, cartas, embaraços e todos os mais incontáveis simbolismos que esse sentimento possui. O despertar emocional, a inversão de raciocínio.
Mais uma vez, o amor.
Chega de repente, do nada. Nos faz ficarmos sem reação frente a sua conquista imperdoável, nos pregando peças e mais peças, por longos e bons anos. Ter alguém ao seu lado, que ri quando abres um sorriso. Que derrama uma lágrima por ti, frente aos desafios que a vida impõe. Como é lindo esse sentimento tão nobre.
E irreal.
Tudo o que eu posso fazer é gargalhar. Não existe nada mais idiota e estúpido do que pensar que algo tão utópico e puro possa existir nesse planeta que nós vivemos. O amor, claro, ele pode ter existido há muito tempo atrás, quando a raça humana valorizava o caráter e o bom coração, antes de valorizar o materialismo pleno e fútil.
Observe bem a sociedade em que nós vivemos, quais são as pessoas mais capacitadas para viver? São aquelas úteis, inteligentes, honestas, interessantes e completas?
Não.
São as tolas, as imbecis. Os seres que não raciocinam frente as adversidades da vida. São os homens que maltratam as mulheres e seus semelhantes, achando engraçado ludibriar os corações femininos e se deliciar em outras carnes mais suculentas e fáceis. São os machos que possuem várias fêmeas e que acham ainda melhor contar as histórias de suas traições e dos seus descasos.
Pois é assim que a vida funciona. Até onde se pode ver, somos animais, mortais. E como tal, a lei da seleção natural se faz presente no nosso meio; escolhendo os mais aptos a passarem os genes adiante, genes esses que serão ainda piores do que os seus antepassados.
O tão inocente sentir, de uma emoção tão efêmera pode ser descrito em poucos versos de poesias, com dores e lamentações eternas de um homem que procurou sentir uma coisa inexistente, e morreu tentanto guardar as lembranças para sempre. Os mais fortes se ajoelharam frente ao seu poder maléfico, de procurar, de fazer juras incontáveis, pedindo, implorando pelo verdadeiro amor.
Que morreu. Que se foi. Que nunca existiu.
O que nos resta, então?
Um sentimento de nostalgia, mesclado aos desinteresses que a vida nos impôs. A busca incessante por algo falso, postiço. Julgamos amor aquela coisa tosca, que não podemos categorizar, pela falta completa de capacidades de julgar como puro aquilo que já foi maculado, açoitado.
Como a cana azeda, que engana todos os olhos. Como o fogo que o representa, mas que na verdade destrói e desune tudo aquilo que toca. Da mesma maneira que o sofrimento sentido ao fim do “amor”.
Amor? Que se acaba, que se destroça, que vem a óbito?
Não.
O amor é eterno, imortal, impecável.
Mas e ao fim de um relacionamento, como se procede? As partes se separam, e fingem nunca terem se conhecido. Eis que surge a hipocrisia das juras eternas de amor, dos sentimentos mais sinceros.
Não considero mentira tais juras, eis que o amor nunca existiu, então todas as palavras ditas em nome de um sentimento não convém a ser aquilo que eles pretendiam jurar. Falaram o nome de outro sentimento, dando o pseudônimo de amor.
Nada a declarar.
Então, tudo o que me resta é rir. Se a vida escolhe suas maneiras de selecionar, quem sou eu, um mero espectador disso que passa a questionar?
Nunca tive a inteção de abrir os olhos de ninguém, os homens são cegos por natureza, e buscam acreditar naquilo que os preenche. Sendo falso ou não, tangível ou não, volátil ou não. Apenas observo o fim da estrada, esperando ansiosamente que ela acabe, e que finalmente os homens abram os olhos para a racionalidade, dando fim a tais sentimentos corruptos que desalmam e ferem o íntimo.
Perfeição, afeição, emoção.
Basta, não?
Abro um sorriso, uma garrafa e um maço.
Destruo meu corpo conscientemente, antes que o assassino silencioso o faça por mim. Escondo-me quando ele passa, sorrateiro, buscando a próxima vítima para matar, mais uma vida para destruir. Esgueiro-me, cauteloso para não deixar nenhuma pista do meu paradeiro, para que ele jamais saiba da minha existência.
E enquanto isso, preces para encontrar o tão esquecido amor. Mas oras, sei que é esperança ridícula. Ele jamais irá aparecer, por nunca haver nascido.
Verdade, existem aqueles que acreditam e que possuem suas necessidades para isso.
Mas eu não.
Eu não acredito no amor.
Mas acredito fielmente na dor que ele possui.
Yerick Douglas
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