domingo, 22 de maio de 2011

Perdi o jeito

No bar, mais um que senta à mesa e pede um refrescante copo d’agua. Na rotina, um descrente julgando ser capaz de superar seu próprio corpo, treinando duro, esforçando-se ao máximo. Nas letras, mesclante de significados, nas metáforas insanas e sem nenhum tipo de conteúdo.
Perdi o jeito.
Para fazer amizades, não mais do que duas cervejas. E se tratando de mulher, um livro bom para contar piadas. Música que agrada aos ouvidos, com melodia elaborada. Um carro ultrapassado para passar obstáculos e um ônibus lotado para quem quer tanto beber. Um trago num cigarro e um tira-gosto barato. Pedido para um, perdido em outra.
Perdi o jeito.
De falar com treijeito e de contar aventuras; para recitar poesias, grandes palavras curtas. Figuras de linguagem misturada com uma boa pitada de conversa. Promessas de um homem que nunca foi capaz de honrar sua palavra; tomando uma cervejinha para comemorar o término de sua vida boêmia, devassa.
Perdi o jeito.
De ler coisas boas, de escolher bons livros. De manter a cabeça erguida frente à mais um problema surgindo à tona. Com os amigos reunidos, assuntos interessantes que saem do forno e servem os corações ébrios apaixonados sentados em uma livraria. Fonte de conhecimento sem limites, líquido de fontes geladas.
Perdi o jeito.
Traga a conta, mas traga a saideira. Amigo, vou passar três meses sem beber! Foram os piores investimentos da minha vida, porque investi na minha saúde. Maldita hora que fui escolher ser feliz, quando normalmente vivo num âmbito de doentes.
Perdi o jeito.
De escrever prosa como se fosse verso, em letras separadas que não falam nada demais. Um cérebro pensante me busca de estímulos que aglomeram sentidos quando não existem nenhum. Nada mais que um chão de giz, ou de uma grande baboseira.
Perdi o jeito.
Inventei sinônimos, criei estados. Faço muita gente pensar com frases soltas, quando poderia simplesmente está falando em inglês. Deixa pra lá, sou bem melhor ouvindo e escrevendo do que me ousando a pronunciar. Meus fonemas saem tão toscos o quanto uma folha em branco preenchida com qualquer baboseira.
Amanhã é fim de semana, domingão. Qualquer coisa é válida para matar o tempo.
Mas até para isso.
Perdi o jeito.

Yerick Douglas

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