quarta-feira, 20 de julho de 2011

Prosa romântica


Certa vez me perguntaram por que a prosa era triste. Por que a melancolia vencia sempre a alegria; por que todo fim era trágico e todo o amor mal resolvido. Por que as clareiras estavam apagadas e a lua brilhava paradoxalmente mais forte do que o sol; este astro mãe que aquece nossas vidas e nos faz despertar com vigor para os porvires.
Afirmaram minha insanidade e me taxaram de louco. Preocupações surgiram daqueles que sim, definitivamente, me amam. Foram lágrimas de agonia em textos mal escritos feitos por mim. Quando as tintas viram sangue do papel rasgado por uma caneta torta.
Questionaram os motivos para a tristeza absoluta reinar em meu coração, ao mesmo tempo que já me rotulam como um ser sem qualquer tipo de sentimentos. Oferecem-me um copo com álcool, por haver somente nela o motivo para a minha real existência nesse mundo decrépito e cheio de tormentos. Havendo unicamente uma razão lógica para existir, um motivo matemático.
As emoções seriam os calabouços da própria alma e da liberdade. Aprisionar-se por vontade própria, depositando em si o propósito das verdades. Seria essa uma máxima do egoísmo, pois haveria somente felicidade em si mesmo e não nos outros.
O amor seria o carrasco do próprio ego.
Perguntaram-me sinceramente: “Teu eu lírico é uma personagem?”
Não.
Eis a prosa romântica, o lado negro do papel. As falhas cometidas na humanidade e o fruto das nossas angústias. Leia com o coração e verás que o amor tratado na prosa é mais sincero e real do que os contos felizes de caras lavadas. Vejam o sofrimento do homem em buscar a própria vida em um lugar que é, de fato, o inferno da consciência.
O lar dos conflitos e desavenças, as competições pelo mercado, pelo espaço e pela sanidade mental.
Feche os olhos e reflita sobre as metáforas e hipérboles ditas na lira; das propositais arrogâncias e saudades; de um amor quase sempre utópico, mas que todos desejam incessantemente.
O astro brilhante no céu que já não esquenta mais o teu corpo, mas certamente refresca a tua intelectualidade com comparações. Pois não há quem diga que não exista algo mais inspirador e romântico do que o brilho da lua e os seus mistérios.
A decepção incomoda, dói. Chega a macular as esperanças e necessita ser excretada. Seja por um grito, uma atitude, uma bebedeira. Tal como em versos que ardem, que choram e borram a tinta. Rasuram-se folhas com fluidos venenosos que saem das nossas próprias entranhas.
Outros bebem. Despejam sobre a boca algo com a estranha sensação de vomitar toda a sua dignidade em contos e crônicas.
Ou como diria uma burguesa: “Em textos rebuscados”.
Rebuscada arte de falar asneiras para não cair no fim do poço, no âmago do esquecimento. Justifico minhas palavras em poucos versos de uma poesia; não minha; pois que minha decepção é não saber sequer fazer uma rima que não seja canalha.

Tristeza a gente escreve,
Mas felicidade,
Ah, felicidade a gente vive
E ninguém saberá.

A desgraça dos outros
É que é atração.



Inspirado numa poesia de Layrtthon Oliveira


Yerick Douglas

4 comentários:

  1. Olha eu... fui citada! hahaha ;)

    Muito bom esse também. Você está um danado, hein? :D

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  2. Grande erro citar natália nesta prosa (brincadeira!). Apreciei bastante o texto caro amigo, tens um grande jogo de cintura com as palavras e segues a linha segunda geração romântica com fervor. O que é bastante contraditório, por conhecer você e saber que és um pilheriador nato! Parabéns, caro mufino!

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  3. Essa é uma das poucas poesias minhas que gosto, tu sabes.

    Achei massa o trecho 'Questionaram os motivos para a tristeza absoluta reinar em meu coração, ao mesmo tempo que já me rotulam como um ser sem qualquer tipo de sentimentos.'

    =*

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  4. Seria um grande erro não comentar que este é uma prova para tamanha personificação do amor, vulgo; Máx., e o quanto exalas este sentimento pois não poderia deixar de comentar tua habilidade com as palavras, abraçO! =)

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