quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Champagne e chocolates


Como é fácil deixar alguém feliz. Um brinde enorme ao narcisismo, meus amigos. Nesse mundinho, poucas coisas deixam o homem tão feliz como apreciar uma boa homenagem. Seja através de palavras, através de conselhos, presentes, cartas. Chegamos ao ápice do egoísmo, onde o bom mesmo é ser taxado de difícil e complicado.
O bonito é ser diferente. Não no sentido da originalidade, mas naquele sentido mais abrangente, de ser excêntrico, confuso. De negar a felicidade, reclamar da vida e viver em depressão. Deixar de lado a sua verdadeira personalidade e viver atrás de uma máscara, exibindo um conteúdo que nem é seu de verdade. Tornar-se o mocinho, o indefeso.
Existem tantas pessoas no planeta que dariam a vida para serem felizes, quando realmente apresentam problemas difíceis. Uma família envolvida com álcool, drogas, tabagismo. Um irmão no meio do crime, filhos duramente deficientes. Enquanto a outra grande maioria, em seu conforto de classe média, acha divertido apresentar incompatibilidade com o resto da sociedade. Inventam problemas, entristecem-se por amores mal resolvidos, vivem às margens do passado.
Para os poetas, nada mais fácil do que passar cinco minutos da sua vida escrevendo um texto metafórico, e ao mesmo tempo generalista, falando de coisas bonitas e naturais, relacionando tudo com a pessoa. Observar atentamente uma peculiaridade da mesma, e comparar com alguma imagem bela, algo hipotético. No fim, o que resta é um texto com palavras rebuscadas, vago, sem emoção alguma, e bem prático de ser feito. Resultado: um idiota feliz.
Pois já passou o tempo da poesia escrita com sangue. Agora, restam as pontas de canetas e os interesses múltiplos, nas quais outros tantos chamam de amor.
Amor?
A paixão surge através do proveito e nutre-se através de lucros. Afinal de contas, ninguém precisa mais de um sentimento verdadeiro para viver hoje em dia. Nem tampouco o mínimo de intelectualidade. Basta apenas apertar algum botão que tudo magicamente se transforma, transportando o usuário para um mundo de praticidade e mecanicismo.
As estrofes viraram parágrafos. Os versos, orações.
E até as orações já foram crucificadas pelos hipócritas que deitam a cabeça no travesseiro à noite e rezam alguma espécie de mantra sagrado, imaginando que tudo amanhecerá da forma perfeita como ele sempre sonhou. São os judas da nova geração; os traidores dos sentimentos, os apedrejadores das verdades.
No fim, todos não passam de narcisistas.
Egoístas.
Pensei até em comprar uma deliciosa caixa de chocolates e uma caixa de espumante para celebrar algo importante essa noite. Li algumas poesias melancólicas, outras sarcásticas. Ri de algumas bobagens, falei de coisas importantes.
Sento na madrugada, releio alguns textos e gargalho frente a tantas bobagens que falei e de tantos risos que arranquei.
Se é fácil ser assim tão feliz, acho que amanhã farei um texto em minha própria homenagem. E o título será muito humilde: “A magnífica mente brilhante”.



Yerick Douglas

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