A luz enxerga meus olhos, refletida nas águas do mar, rente ao cais. Os sons ouvem meus ouvidos, a mesa tateia minha pele, as fragâncias sentem meu olfato. A vida é perfeita, ou ao menos, deveria ser. Homens, mulheres, crianças. Chão de madeira, firme o bastante para que possamos nos sentir seguros, mas suave, proporcionando o balanço das águas.
Engraçado.
Imaginamos que as relações humanas são simples o bastante, e nos baseamos nessa ideia. Construímos uma vida em cima de pilares nos quais não sabemos o quanto de peso eles podem aguentar. As vezes, duram, mostram-se firmes na maior parte das circunstâncias. Depositamos peso verticalmente, talvez até toneladas. Basta apenas um leve empurrão na horizontal para que ele desabe.
Horizonte...
Era quando imaginávamos que o barco cairia, até onde os nossos olhos não conseguem ver, nem medir. Incontável como o infinito, o interminável. Existem tantas coisas nas quais são imensuráveis, e mesmo assim, tentamos dar razões e valores a isso. Apenas a natureza humana, inexplicável e vadia.
Saudades.
Do que se perdeu na visão, do que partiu e se foi, sem hora para voltar. Um abraço apertado, uma opnião sincera, ou até mesmo a própria dor. Sentir falta de algo que nos trás uma boa memória, em um abismo repleto de problemas e amarguras. Todavia, entregar-se por inteiro a um bem maior, exercitando o altruísmo e demonstrando que ainda existe força em um corpo sem emoções.
Como o amor, que é muito forte.
Tão forte, tão lindo e tão místico. Tão irreal...
A luz já se vai, o sol já se pôs.
Resta-me apenas contemplar o que sobrou...
As sombras do passado, a lua e as estrelas.
Yerick Douglas
Nenhum comentário:
Postar um comentário