quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Equação de sétimo grau


Morri. Já não pertenço mais a esse plano.
Como não? Se todos os meus pontos ainda permanecem vivos e muito bem localizados nas mentes de todas as pessoas? Se a mim, como lembrança, ainda faço todos ao meu redor testarem probabilidades impossíveis, em uma singela tentativa de me recriarem.
Estou vivo.
Impossível! Pois a minha matéria já chegou ao final, como a ponta de um lápis, que rabisca destacando de uma folha em branco a resposta dos outros demais algarismos, que se apresentam por igual, mostrando constantemente a sua importância nesse amontoado de números que somos nós.
Estou acordado.
Provavelmente. A consciência que paira sobre mim é tamanha que pode superar a quantidade de casas decimais em pi. Utilizo da análise combinatória para justificar meus pensamentos e atos, provando geometricamente as minhas passadas áreas de atuação na superfície esférica do planeta em que habitei.
Senti.
Certamente. Senti o frio dar na espinha, como todo recém apresentado a um cálculo de alta dificuldade, que requer diversas páginas de rascunho para ser articulada. A dor do ganho de um sinal negativo em uma expressão, que poderia ter sido simplesmente substituído por um positivo, com um simples toque matemático.
Sofri.
Está contido no conjunto. Este mesmo que pertence a um grupo maior, relacionando-se constantemente em uma função de ação e reação, onde os atos provocados pelas minhas atitudes geraram consequências que nem sempre foram aprovadas pela banca julgadora da minha existência.
Acreditei.
Mostrei para todos que os seus pontos de vista podem ser observados por outros ângulos. E que cruzando uma bissetriz entre seus argumentos, observaremos dois outros de mesma intensidade, porém distintos entre si. Provei que as coisas são relativas e partem de um determinado referencial; o mesmo acontecendo com destino de suas vidas, que são nada mais do que a ordenadas e abscissa na escolha do próprio futuro.
Amei, Logo existi.
Aproveitei cada momento que passei entre este povo maravilhoso. Cada riso, cada lágrima, cada decepção, cada conquista. Vi que a alegria de ter provado diversos teoremas de nada adiantou sem uma emoção mais forte, mais consolidada. Admiti para mim que a lógica matemática pode explicar facilmente todas as variáveis existentes, mas nunca irá ser forte o suficiente para provar o segmento de reta no percurso da imortalidade, que se chama “a vida”.


Yerick Douglas

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